Florianópolis, 13 de abril de 2026 – Santa Catarina atualizou os valores do salário mínimo regional com vigência retroativa a 1º de janeiro de 2026. Os novos pisos variam entre R$ 1.842 e R$ 2.106, dependendo do setor econômico, e se aplicam às categorias que não têm piso definido por legislação federal ou convenção coletiva. O reajuste foi de 6,49%, índice acima da inflação registrada em 2025, o que representa ganho real de poder de compra para os trabalhadores enquadrados.
A diferença entre o piso catarinense e o mínimo nacional — hoje em R$ 1.621 — varia de 13,6% na faixa inicial até 29,9% na mais alta. Em valores concretos, isso significa entre R$ 221 e R$ 485 a mais por mês. Anualizado, o trabalhador na faixa superior recebe R$ 5.820 a mais do que receberia se o referencial fosse só o mínimo federal. Para quem vive de salário e administra orçamento doméstico sem folga, essa diferença tem nome e endereço: é aluguel, é conta de luz, é a margem entre fechar ou não fechar o mês.
Os pisos cobrem categorias que raramente aparecem nos grandes acordos coletivos de sindicatos com mais força de negociação: trabalhadores domésticos, empregados no comércio de menor porte, trabalhadores rurais, auxiliares de construção civil e profissionais de saúde sem vínculo com grandes redes hospitalares. São, em geral, os postos mais vulneráveis do mercado formal — sem bancada política expressiva, com menos capacidade individual de negociar remuneração. Sem o piso regional, o referencial seria o mínimo federal, que existe, mas não acompanha o custo de vida de estados com economia mais dinâmica.
O mecanismo não é automático: exige aprovação legislativa a cada ciclo e sanção do governador. A lei aprovada neste ano foi sancionada por Jorginho Mello e entra em vigor retroativamente a janeiro. Para os trabalhadores enquadrados, isso pode significar diferença a receber nos contracheques dos primeiros meses do ano, dependendo de como cada empregador fez os acertos. O contexto reforça a importância do mecanismo: segundo o Dieese, Florianópolis teve em março de 2026 a quarta cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 824,35.

