Imagem gerada por IA.

Florianópolis, 13 de abril de 2026 – O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina encerrou a Operação Estação Verão 2025/2026 com 3.876 salvamentos realizados ao longo de 156 dias, queda de 10,9% em relação à temporada anterior. Mortes por afogamento caíram 6,25%: foram 60 óbitos registrados entre novembro e abril, contra 64 no ciclo passado. As ações preventivas — orientações e intervenções antes do acidente — superaram 16 milhões, com crescimento de 6,7%.

O número que mais importa no relatório, porém, não são os salvamentos. São as mortes — e onde elas acontecem. Das 60 pessoas que morreram afogadas nesta temporada, 93,3% estavam em locais sem cobertura de guarda-vidas. Das 38 mortes em praias, 76,3% ocorreram em trechos sem posto. As outras 22 foram em rios, lagos e represas — todas em áreas sem guarda. Esse padrão se repete há anos nos relatórios do CBMSC e a leitura é sempre a mesma: onde há guarda-vidas treinado, há intervenção antes do afogamento se consumar. Onde não há, a corrente de retorno faz o que sempre fez.

A corrente de retorno continua sendo o principal risco nas praias do litoral catarinense. É silenciosa, rápida e imperceptível para quem não foi alertado — e mortal quando não há ninguém treinado para agir nos primeiros segundos. O CBMSC registrou média de 24,8 salvamentos por dia e mais de 102 mil ações preventivas diárias ao longo da operação. O aumento de 6,7% nas intervenções preventivas é o indicador mais relevante do trabalho: significa que os bombeiros estão chegando antes do acidente, não depois.

Outro dado positivo foi a queda no número de crianças perdidas nas praias: de 4.486 na temporada anterior para 2.340 neste verão, redução de 47,8%. O CBMSC atribui o resultado ao uso de pulseiras de identificação e às orientações repassadas diretamente nas praias durante a operação. O único indicador que subiu foi o de atendimentos por água-viva — cerca de 29 mil casos, alta de 3,6% —, resultado que depende de condições oceanográficas e está fora do controle operacional. Os arrastamentos por correntes caíram 11,5%.

O comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza, resumiu o princípio central da operação: salvar vidas começa antes da emergência, na escolha de áreas com guarda-vidas e no respeito à sinalização. O problema é que nem todas as áreas têm guarda-vidas disponíveis para escolher — e os 93,3% de mortes em locais descobertos continuam sendo o argumento mais direto para ampliar a cobertura antes do próximo verão.