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Florianópolis, 20 de abril de 2026 – O carnaval de Florianópolis movimentou R$ 510 milhões no estado este ano e atraiu público crescente para a Passarela Nego Quirido. Mas as escolas de samba continuam operando sem barracões próprios adequados, dividindo espaços provisórios para a produção de alegorias e fantasias que exigem meses de trabalho. É para resolver esse gargalo estrutural que a Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (LIESF) retoma, com mais força, o projeto da Cidade do Samba.

A proposta foi apresentada durante o Congresso Nacional do Samba em setembro de 2025 e ganhou corpo com a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa do Carnaval na Assembleia Legislativa. Em março, a LIESF divulgou um projeto arquitetônico desenvolvido em parceria com a frente parlamentar e com a Fundação Catarinense de Cultura que detalha a proposta: um novo sambódromo com arquibancadas cobertas para pelo menos 50 mil pessoas, barracões individuais para cada escola, um Museu do Carnaval e um espaço chamado de Botequim do Samba. O terreno já foi escolhido — fica na Via Expressa Sul, em área pertencente à União e à UFSC.

O projeto e a negociação do terreno

A Secretaria de Patrimônio da União está em tratativa com o governo federal para a cessão do espaço. A ideia da LIESF é dobrar a capacidade do atual Complexo Nego Quirido e criar uma estrutura que funcione durante o ano inteiro, não apenas no período do carnaval — com ensaios, eventos culturais e atrações turísticas fora de época, gerando receita contínua e ampliando a cadeia econômica ligada à cultura popular. O presidente da entidade, Joel Costa Jr., afirmou que o projeto traz mais organização, segurança e conforto para a criação dos grandes projetos de carnaval e de alegorias.

O financiamento e o calendário real

A captação de recursos ainda está em fase inicial. A intenção é acionar o Ministério da Cultura, o Ministério do Turismo e o Governo do Estado. O prefeito Topázio Neto reconheceu publicamente que uma estrutura desse tipo não sai por menos de R$ 50 a R$ 60 milhões e que o planejamento precisa ser feito com cautela. Ainda não há data definida para início das obras nem garantia de que a Cidade do Samba estará pronta para o carnaval de 2027. O que existe, por ora, é um projeto com desenho, uma área em negociação e uma articulação política que avançou mais nos últimos meses do que nos anos anteriores. Para as escolas de samba, que há décadas aguardam essa estrutura, isso já é alguma coisa.