Florianópolis, 28 de abril de 2026 — O setor de transportes de Santa Catarina começou 2026 com um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, analisados pela Facisc, revelam que no primeiro bimestre os serviços de transportes, atividades auxiliares e correios recuaram 4,2% no estado — o segundo pior resultado do país, empatado com Minas Gerais, e o mais baixo para o período nos últimos nove anos.
A Indústria Puxa Para Baixo: Máquinas, Elétricos e Automotivo em Queda
A retração industrial catarinense é o fator central por trás do tombo logístico. Nos dois primeiros meses do ano, a indústria do estado recuou 6,2%, com quedas expressivas em segmentos estratégicos como máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos e automotivo. Menos produção significa menos carga para transportar — e o reflexo cai diretamente sobre as empresas de logística que dependem desse fluxo para sustentar suas operações.
Os Custos que Não Param de Subir: Diesel, Manutenção e Capital
Para as empresas do setor, o cenário é de pressão em múltiplas frentes ao mesmo tempo. O custo do diesel, as despesas com manutenção da frota, a escassez de mão de obra qualificada e o custo de capital compõem um ambiente operacional que exige gestão eficiente e planejamento rigoroso. Empresas relatam dificuldade crescente para contratar motoristas profissionais, o que gera veículos parados e limita diretamente a capacidade de operação.
A Infraestrutura como Prioridade: SC Arrecada Muito e Recebe Pouco
O presidente da Facisc, Elson Otto, defende maior retorno dos recursos federais arrecadados no estado. Santa Catarina é o quinto maior arrecadador de impostos federais do Brasil e um dos que menos recebe de volta — um desequilíbrio que compromete diretamente os investimentos em infraestrutura. Não por acaso, 60% dos pleitos regionais levantados pela entidade junto ao poder público tratam de obras e melhorias em rodovias, item diretamente ligado à eficiência e à competitividade do transporte catarinense.

