Highline na Ponte Hercílio Luz com Rafa Bridi | Foto: Andy Puerari 

Florianópolis, 28 de maio de 2026 Em 28 minutos, Rafael Bridi redesenhou o horizonte de Florianópolis. Na tarde de sábado, 16 de maio, o atleta catarinense caminhou 605 metros sobre uma fita de 2,5 centímetros de largura, suspensa a 85 metros acima da Baía Sul — e cravou o maior highline urbano já registrado nas Américas. A travessia conectou um edifício próximo ao acesso da ilha à Torre Sul da Ponte Hercílio Luz, e foi acompanhada por milhares de pessoas nas margens da baía.

“Eu já fiz travessias em lugares muito extremos, mas estar em Florianópolis, na minha cidade, é diferente. A fita conversa com o corpo, o vento muda, a cidade aparece de um jeito que poucas pessoas vão ver. Foi uma travessia muito intensa, não só tecnicamente, mas emocionalmente”, descreveu Bridi. 

UM RECORDE QUE JÁ ERA DELE

A marca superada era do próprio Rafael Bridi — 515 metros, registrados em 2023 no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, ao lado da atleta Erika Sedlacek. Agora, o recorde continental voltou para Florianópolis, onde o atleta nasceu e construiu boa parte de sua trajetória no highline.

A travessia de sábado foi realizada sem barra de equilíbrio, apenas com o corpo, equipamentos de proteção e uma mochila de segurança. O sistema utilizou uma fita principal e uma fita reserva logo abaixo, em material híbrido de poliéster e nylon. A montagem contou com participação internacional: os norte-americanos Brian Logan Henning, Brandon Lee Proffitt e Sean Eric Englund, da Uncharted Lines — empresa especializada em grandes projetos de highline que já atuou em competições nos Estados Unidos e em projetos na China e em Utah.

“Uma travessia como essa exige técnica, leitura do ambiente e muita responsabilidade. A Ponte Hercílio Luz tem uma força simbólica enorme, e trabalhar ao lado do Rafael em um projeto desse tamanho, no coração de Florianópolis, foi muito especial”, afirmou Sean Eric Englund, da equipe norte-americana.

UM ATLETA COM TRÊS RECORDES MUNDIAIS NO CURRÍCULO

Bridi acumula três recordes homologados pelo Guinness World Records: a maior travessia dentro de um vulcão ativo do mundo, no Monte Yasur, em Vanuatu; o highline mais alto do mundo em relação ao solo, realizado entre dois balões a 1.901 metros do chão na Serra Catarinense; e a travessia a 1.008 metros de altura sobre o Salto Angel, na Venezuela. É também um dos fundadores da Federação Internacional de Slackline e soma mais de 600 travessias em diferentes países.

Não foi a primeira vez que a Hercílio Luz serviu de palco para Bridi. Em 2020, durante as celebrações da reabertura da estrutura após décadas fechada para restauração, o atleta já havia percorrido cerca de 340 metros entre duas torres da ponte. Seis anos depois, no centenário da mesma estrutura, ampliou a própria marca continental com 265 metros a mais.

O RECORDE MUNDIAL AINDA ESTÁ NA MIRA

O plano original para o dia 16 era ainda mais ambicioso: a travessia completa da Ponte Hercílio Luz no sentido Continente-Ilha, totalizando aproximadamente 1,2 quilômetro — o que poderia render o recorde mundial da modalidade, atualmente nas mãos do estoniano Jaan Roose, com 1.070 metros sobre o estreito do Bósforo, em Istambul. Um momento de desequilíbrio durante a ida e as condições climáticas impostas por um ciclone extratropical próximo ao litoral catarinense impediram a tentativa completa. Apenas o trajeto de volta foi validado para homologação.

“Eu vim preparado para buscar o recorde mundial e esse sonho continua. Hoje, a travessia tomou outro caminho, como muitas vezes ocorre no highline. A gente respeita o ambiente, respeita a segurança e entende o momento. Mas eu saio daqui com um novo recorde das Américas, com uma imagem muito bonita de Florianópolis e com ainda mais vontade de buscar o recorde mundial este ano”, disse Bridi.

Os registros da travessia foram encaminhados para análise da Associação Internacional de Slackline (ISA) para validação oficial da marca. A tentativa pelo recorde mundial segue no horizonte de 2026.

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