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Florianópolis, 13 de abril de 2026 – Santa Catarina terminou o primeiro trimestre de 2026 com saldo positivo de 45.350 empresas — resultado de 96.397 CNPJs abertos contra 51.047 extintos entre janeiro e março. O número representa crescimento de 6,5% sobre o mesmo período do ano passado, quando o saldo havia sido de 42.584.

O dado que chama mais atenção não é o total, mas quem está por trás dessas aberturas. Das 124.656 pessoas que entraram como sócias nas novas empresas do trimestre, 72.626 são mulheres — 58,2% do quadro societário. Não é uma maioria estreita. É um resultado expressivo que inverte décadas de um cenário em que o empreendedorismo formal era território predominantemente masculino. Quando as barreiras para abrir empresa caem — burocracia menor, processos mais ágeis, acesso mais simples ao MEI —, quem estava do lado de fora entra. E muitas dessas pessoas são mulheres.

Jovens entre 21 e 31 anos também aparecem com força: foram 37.648 novos sócios nessa faixa, representando 30,2% do total. Por porte, o MEI puxou os números: 38.097 novos microempreendedores individuais foram registrados no período, contra 12.950 sociedades limitadas. Os setores com maior saldo foram Transporte e Armazenagem (6.636 novas empresas), Atividades Administrativas e Serviços Complementares (5.803), Comércio e Reparação de Veículos (5.041), Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas (4.647), Construção Civil (4.529) e Indústria da Transformação (4.212).

Por cidade, Joinville liderou com 4.305 novas empresas, seguida de Florianópolis com 4.204. O top dez inclui ainda Itajaí (2.627), Blumenau (2.410), São José (2.099), Chapecó (1.716), Palhoça (1.565), Criciúma (1.532), Balneário Camboriú (1.373) e Jaraguá do Sul (1.349). A presença de Chapecó e Criciúma no grupo confirma que o movimento não está restrito ao litoral ou aos grandes centros industriais do Vale — o interior organizado também produz novos negócios em ritmo consistente.

O presidente da Jucesc, Fernando Baldissera, atribui parte do resultado ao avanço na digitalização dos registros empresariais. Quando abrir uma empresa deixa de ser um projeto de semanas e passa a levar dias, mais pessoas tomam a decisão de formalizar o que já fazem na prática. O governador Jorginho Mello comentou os dados afirmando que o estado vai continuar trabalhando para ser referência nacional em liberdade econômica. O número de 45 mil novas empresas em três meses sugere que o ambiente já está respondendo.