Florianópolis, 11 de outubro de 2026 – Santa Catarina registrou, de janeiro a agosto de 2026, 45 doadores efetivos de órgãos por milhão de habitantes. O índice já é maior que o de todo o ano de 2025, de 42,8, quando o estado liderou o ranking nacional. No período, foram feitas 241 doações de múltiplos órgãos e 1.167 transplantes.
Entre janeiro e agosto, a SC Transplantes recebeu 525 notificações de potenciais doadores. As equipes fizeram 395 entrevistas com familiares e obtiveram 272 autorizações.
O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, atribui o resultado à estrutura mantida pelo Estado em todas as etapas, da identificação do potencial doador à retirada e ao transporte dos órgãos. Ele define a SC Transplantes como “uma política de Estado consolidada há mais de duas décadas”.
Recusa Das Famílias Cai Para 31%
A parcela de famílias que não autorizam a doação ficou em 31% em 2026, um ponto percentual abaixo da registrada no ano passado. Em 2007, sete em cada dez famílias recusavam.
A entrevista com os parentes é uma das etapas mais delicadas do processo. Para preparar as equipes, o Estado realiza em média dez Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até agosto, 3.288 profissionais haviam passado pela capacitação.
O Sistema Estadual de Doação reúne 73 hospitais, onde as equipes atuam da identificação do possível doador ao contato com a família.
26 Mil Receptores Desde 1999
A Central Estadual de Transplantes, nome oficial da SC Transplantes, foi criada em 1999 pela Secretaria de Estado da Saúde e coordena a doação, a distribuição e o transplante de órgãos e tecidos. Desde então, cerca de 26 mil pessoas receberam órgãos, tecidos ou células.
Quando há compatibilidade, órgãos captados em Santa Catarina também seguem para pacientes de outros estados.
O coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, informa que Santa Catarina liderou sozinha a doação de órgãos no país em 15 dos últimos 21 anos e ficou em segundo lugar nos demais. Cerca de 9,4 mil famílias catarinenses já autorizaram a doação.
Como Se Tornar Doador
Não é necessário deixar a decisão registrada em documento. O passo que conta é avisar a família, porque são os parentes que autorizam a doação.
Depois da autorização, as equipes organizam a retirada dos órgãos, identificam os receptores compatíveis e fazem a distribuição aos hospitais transplantadores. O transporte usa aeronaves da Secretaria de Estado da Saúde e do Samu, estruturas da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, além de táxis aéreos e voos comerciais.


