Florianópolis, 2 de junho de 2026 – Santa Catarina deu início ao projeto que vai calcular, pela primeira vez de forma sistemática e institucionalizada, o PIB do agronegócio catarinense. Coordenado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa), o estudo vai quantificar a real participação do setor agroindustrial na economia estadual. E os dados preliminares dão a dimensão do que está em jogo: levantamentos acadêmicos já indicaram que o agronegócio respondeu por entre 30% e 54% do PIB catarinense em diferentes anos da última década.
O projeto tem duração prevista de seis anos, divididos em três fases de dois anos cada. A primeira etapa conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Edital CP 44/2025. O objetivo inicial é adaptar metodologias já consolidadas no Brasil à realidade produtiva de Santa Catarina e produzir um cálculo preliminar da contribuição do agro para a economia estadual.
O QUE O ESTUDO VAI MEDIR
A análise vai além da produção agropecuária dentro da porteira. O cálculo inclui os setores de insumos, agroindústria, transporte, comércio e demais serviços diretamente ligados às cadeias produtivas. Uma visão integrada que nenhum levantamento oficial havia consolidado até agora para Santa Catarina. Para se ter um parâmetro, a participação do agronegócio no PIB nacional passou de 20% em 2010 para 26% em 2021, segundo dados preliminares da própria equipe do projeto.
“O projeto é relevante diante do papel estratégico do agronegócio catarinense, um dos pilares da economia do Estado. Apesar de sua importância na geração de renda, empregos e exportações, Santa Catarina ainda precisa de um sistema próprio, periódico e atualizado que permita dimensionar a participação do setor na economia estadual”, afirmou Dirceu Leite, presidente da Epagri.
LACUNA HISTÓRICA NAS ESTATÍSTICAS
A ausência de um indicador oficial periódico para o agronegócio catarinense é uma anomalia considerando o peso do estado na produção nacional. Santa Catarina está entre os maiores produtores de suínos, aves, maçã e leite do Brasil, e o setor movimenta cadeias de exportação que respondem por parcela expressiva da balança comercial estadual. Minas Gerais e São Paulo já contam com o cálculo sistemático do PIB do agronegócio feito por institutos de pesquisa; Santa Catarina vai preencher essa lacuna.
Além de gerar o indicador agregado, a iniciativa vai utilizar a Matriz Insumo-Produto inter-regional para detalhar as relações entre os segmentos da economia, identificar cadeias com maior potencial de geração de emprego e renda, e simular os impactos de mudanças na demanda do setor. “Embora importante, a mensuração do PIB do agronegócio, isoladamente, não explica o funcionamento do setor”, explicou Andréa Castelo Branco, analista em Socioeconomia da Epagri/Cepa.
O estudo posiciona a Epagri/Cepa como referência na produção e sistematização de informações sobre a economia agroindustrial de Santa Catarina, e entrega ao governo estadual e ao setor privado a base técnica que faltava para qualificar o planejamento e as políticas públicas voltadas ao campo.

