Florianópolis, 2 de julho de 2026 — A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), por meio do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), divulgou as estimativas iniciais para a safra de inverno 2026/27 com um alerta: o fenômeno El Niño deve provocar quedas expressivas nas principais culturas do período. Trigo, alho e cebola lideram as retrações projetadas, enquanto aveia e cevada aparecem como exceções com perspectiva de crescimento.
O cenário climático descrito pela meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima, aponta inverno ameno, sem extremos de temperatura, com maior nebulosidade e chuvas frequentes. Geadas seguirão concentradas nas áreas mais altas do Meio-Oeste e do Planalto Sul. Para as lavouras de inverno, esse perfil representa risco elevado de doenças bacterianas, encharcamento do solo e dificuldades nas operações de campo.
CULTURA POR CULTURA
O trigo registra a maior retração projetada. A área plantada deve cair de 104,5 mil para 76,2 mil hectares — recuo de 27% — e a produção está estimada em 271 mil toneladas, queda de 29% em relação à safra anterior.
No alho, a área cultivada deve passar de 747 para 647 hectares, redução de 13%. A produção projetada é de 7,3 mil toneladas, 17% abaixo do ciclo anterior. A região de Curitibanos, com destaque para os municípios de Fraiburgo e Frei Rogério, concentra 52% da área cultivada no estado e permanece como principal polo produtor.
A cebola também recua, em grande parte por um fator de mercado anterior ao clima: os preços abaixo do custo de produção no início de 2026 levaram produtores a reduzir o plantio em 9%, para 17,4 mil hectares. A produção total deve cair 9%, para 576,4 mil toneladas. A região de Ituporanga concentra 46% da área cultivada.
AVEIA E CEVADA VÃO NA CONTRAMÃO
Enquanto as principais culturas recuam, aveia e cevada apresentam perspectiva de expansão. A produção de aveia-grão deve alcançar 60 mil toneladas, crescimento de 12,8%, com área de aproximadamente 37 mil hectares. A cevada também deve crescer: 500 hectares de plantio, alta de 13,6%, com produção próxima de 2 mil toneladas.
O analista Haroldo Tavares Elias, da Epagri/Cepa, ressaltou que as estimativas subsidiam decisões que vão além da porteira. “Essas projeções permitem identificar tendências, prospectar novos mercados e fundamentar políticas públicas mais eficientes para os produtores catarinenses.”

