Florianópolis, 05 de janeiro de 2026 – A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) divulgou um comunicado oficial avaliando o cenário de instabilidade na Venezuela. A entidade considera que ainda é prematuro mensurar com exatidão os reflexos econômicos diretos para o estado, dado o baixo volume de comércio bilateral, mas mantém o sinal de alerta ligado para questões estratégicas como o mercado de trabalho e as negociações internacionais.

Em termos de balança comercial, a relação entre Santa Catarina e Venezuela é modesta, representando apenas 0,24% das exportações e 0,12% das importações estaduais em 2025. Os principais produtos enviados ao país vizinho foram máquinas agrícolas, somando cerca de US$15 milhões. Na via contrária, o estado importou US$126 milhões em fertilizantes e US$93 milhões em alumínio bruto, o que coloca a Venezuela como a terceira maior fornecedora deste insumo para a indústria catarinense.

Entretanto, a maior preocupação da FIESC reside no capital humano. O presidente da entidade, Gilberto Seleme, destaca que a indústria de Santa Catarina absorveu uma quantidade significativa de imigrantes venezuelanos — cerca de 27,2 mil foram interiorizados para o estado até o início de 2024. “Hoje, a indústria de SC conta com a força de trabalho de venezuelanos para preencher vagas. Dependendo dos desdobramentos, existe a possibilidade de o país se tornar novamente atrativo para esses imigrantes”, pondera Seleme, indicando um possível risco de escassez de mão de obra caso haja um fluxo de retorno.

No campo diplomático, a FIESC também expressa preocupação com o “tarifaço” norte-americano. A expectativa do setor produtivo é que o posicionamento do governo brasileiro em relação à crise venezuelana seja técnico e não prejudique as delicadas negociações comerciais em curso com os Estados Unidos, parceiro vital para a economia de Santa Catarina.

Fonte da informação: nsctotal.com.br