Florianópolis, 21 de abril de 2026 – Santa Catarina concluiu a ampliação da sua rede de monitoramento hidrometeorológico. A última estação do pacote foi instalada no Rio das Antas, entre os municípios de Iraceminha e Descanso, no Oeste catarinense, completando o total de 172 unidades distribuídas por todas as regiões do estado. O projeto, coordenado pela Secretaria da Proteção e Defesa Civil (SPDC/SC), recebeu investimento de R$ 9 milhões e incluiu 130 novas estações somadas às 42 que já operavam na bacia do Rio Itajaí — rede instalada em 2022 após as enchentes que devastaram a região.
As 172 estações são de dois tipos. As hidrológicas ficam instaladas junto a rios e cursos d’água e monitoram, em tempo real, o nível dos rios e o volume de chuva registrado no local. As meteorológicas acompanham variáveis como temperatura, umidade, pressão atmosférica e a direção e velocidade do vento. Ambos os modelos são equipados com câmeras e sistemas de alarme para proteção dos equipamentos e para garantir a confiabilidade dos dados. A atualização é a cada 15 segundos — uma frequência que permite o que os especialistas chamam de nowcasting: previsões para curtíssimo prazo, aquelas que fazem diferença quando um temporal está se formando e há populações em áreas de risco.
A integração que ainda falta e o que ela muda
Atualmente, os dados das novas estações ainda estão em fase de uso interno pela equipe técnica da Defesa Civil. A previsão é que, no próximo mês, todas as informações sejam integradas ao sistema estadual já em operação — que inclui as 42 estações do Vale do Itajaí e a cobertura dos radares meteorológicos. Com a integração, pesquisadores, gestores públicos e a população em geral poderão consultar os dados em tempo real e fazer download de séries históricas, o que amplia a transparência sobre o monitoramento climático em todo o estado.
Por que isso importa num estado de histórico de desastres
Santa Catarina é um dos estados brasileiros mais vulneráveis a desastres climáticos. Enchentes no Vale do Itajaí, deslizamentos na Serra, secas no Oeste e vendavais no litoral fazem parte de um histórico recorrente que cobra vidas e causa perdas econômicas bilionárias a cada ciclo. O principal gargalo no enfrentamento desses eventos não costuma ser a resposta depois que o desastre acontece — é o tempo entre a formação do risco e a chegada da informação às equipes e às populações afetadas. Uma rede de 172 estações com dados a cada 15 segundos, cobrindo todas as regiões do estado, ataca diretamente esse gargalo. O secretário e comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza, definiu a iniciativa como avanço significativo na gestão de riscos. A manutenção contínua, com visitas técnicas periódicas para limpeza, testes e ajustes, está prevista no projeto para garantir o funcionamento pleno nos períodos críticos — que são exatamente quando os dados mais importam.

