Florianópolis, 06 de abril de 2026 – A média nacional foi 1,5%. Santa Catarina cresceu 5,9% na indústria de alimentos em 2025, segundo o IBGE. O estado ficou em quarto no ranking nacional — atrás do Rio Grande do Sul, do Pará e do Rio de Janeiro —, mas a posição não é o número mais interessante. O mais interessante é a distância do estado para o resto do país.
Parte da explicação está no campo. A safra de grãos 2024/25 subiu 20,7%, passando de 6,5 para 7,85 milhões de toneladas. Arroz, feijão, milho, soja e trigo, todos com aumento de produção. Condições climáticas favoráveis ajudaram, mas investimento em tecnologia agrícola também. Quando a matéria-prima chega em volume e com qualidade, a indústria alimentícia responde.
NAS EXPORTAÇÕES
Santa Catarina exportou cerca de 2 milhões de toneladas de carnes em 2025 — frango, suínos, bovinos e outras proteínas —, com receita de aproximadamente US$ 4,5 bilhões. Alta de 8,4% sobre 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Só de frango, foram 1,2 milhão de toneladas. De carne suína, 748 mil toneladas. Ambas com crescimento em volume e em faturamento.
O estado não exporta o que sobra. Produz para o mercado externo e usa o interno como base. Isso muda a lógica do negócio — e, por consequência, os resultados. O desafio agora é fazer de 2025 uma tendência, não uma temporada boa.
O RISCO DE UM BOM ANO VIRAR ARMADILHA
Crescer 5,9% quando o país cresce 1,5% é um resultado que merece ser lido com cuidado. Parte do desempenho de 2025 foi sustentada por condições climáticas que não se repetem automaticamente — a safra de grãos não vai crescer 20% todo ano, e o câmbio favorável às exportações tampouco é garantido. Há uma diferença importante entre crescimento estrutural e crescimento conjuntural, e Santa Catarina precisará separar um do outro para saber o que realmente construiu e o que foi sorte do calendário. O setor de proteínas animais, que responde pela maior fatia das exportações, já começa a sentir pressão nos custos de ração, na disputa por mercados com Argentina e Estados Unidos, e nas exigências crescentes de rastreabilidade e sustentabilidade dos compradores europeus e asiáticos. O bom ano de 2025 comprou tempo. Não comprou certeza.

