Por do Sol na Ponte Hercílio Luz | Foto: Andy Puerari

Florianópolis, 27 de maio de 2026 Em 13 de maio de 1926, uma tarde de chuva marcou a inauguração da Ponte Hercílio Luz. Os então 40 mil moradores da Ilha de Santa Catarina, até ali obrigados a atravessar o canal de balsa, ganhavam sua primeira ligação física com o continente. Cem anos depois, a estrutura de 821 metros ainda chama atenção — não apenas pelo que representa culturalmente, mas pelo que representa do ponto de vista técnico. A Hercílio Luz é, até hoje, a maior ponte pênsil sustentada por um sistema de barras de olhal ainda em operação no mundo.

UM PROJETO QUE VEIO DE FORA PARA FICAR

A construção começou em 1922, idealizada pelo então governador Hercílio Luz, que não viveu para vê-la concluída. O projeto foi assinado pelos engenheiros norte-americanos D. B. Steinman e William G. Grove — nomes de referência na engenharia de pontes à época. A execução exigiu a importação de tecnologia e materiais dos Estados Unidos e da Alemanha, além da participação de trabalhadores locais que ergueram a estrutura sob condições logísticas adversas: correntes marítimas, ventos intensos sobre o canal e a ausência de tradição brasileira em obras de grande porte em aço.

O resultado foi, para o padrão da época, um feito singular. Com vão central de 340 metros, torres de 74 metros de altura e comprimento total de 821,4 metros — sendo 30 metros acima do nível do mar no ponto mais alto do tabuleiro —, a Hercílio Luz foi considerada a maior ponte pênsil do mundo em sua época. O que distinguia sua engenharia, porém, não era apenas o tamanho: era o uso de correntes de barras de olhal no lugar dos cabos de aço convencionais, uma técnica rara que sobrevive em muito poucas estruturas no mundo.

FECHAMENTO, TOMBAMENTO E RESTAURAÇÃO

Em 1991, 65 anos após a inauguração, a ponte foi totalmente interditada por questões estruturais. Em 1997, o IPHAN a tombou como Patrimônio Artístico e Arquitetônico Nacional. A restauração, iniciada em 2006 e concluída com a reabertura em dezembro de 2019, é considerada um dos projetos de recuperação de pontes históricas mais complexos já executados no Brasil.

O desafio técnico era inédito: restaurar uma estrutura centenária sem alterar sua estética original, em meio a ventos e marés, com restrições de obra em patrimônio histórico. A solução envolveu a construção de uma ponte provisória por baixo da estrutura original para suportar o peso durante a troca das peças corroídas — uma operação de engenharia calculada com precisão milimétrica.

LED, TECNOLOGIA E UM NOVO CAPÍTULO

O capítulo mais recente da história tecnológica da Hercílio Luz foi escrito em dezembro de 2024, com a inauguração da iluminação cênica desenvolvida pela Quantum Engenharia. O sistema instalou mais de 7 mil pontos de LED RGB ao longo da estrutura — distribuídos entre torres, pendurais e projetores — com investimento de R$ 9 milhões pelo Governo do Estado. Por ser patrimônio histórico, cada suporte precisou ser desenvolvido sob medida em aço especial, sem qualquer alteração na estrutura original da ponte.

O resultado transforma a Hercílio Luz, à noite, em uma plataforma de espetáculos visuais — capaz de receber programações temáticas, ativações culturais e exibições sincronizadas de luz e cor sobre a Baía Norte. O centenário, celebrado em maio de 2026, chegou com a ponte mais equipada tecnologicamente do que em qualquer outro momento de sua história.

Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção do conteúdo não teve custo e sua veiculação custou R$ 5.000,00.