Campos Novos, 31 de março de 2026 – Santa Catarina é o maior produtor nacional de carne suína e um dos líderes em avicultura. Mas ser líder não significa ser invulnerável. A cadeia produtiva integrada — aquela em que o produtor rural cria os animais dentro de um contrato com a agroindústria que fornece insumos, técnica e garante a compra — depende de infraestrutura constante, de modernização permanente e de acesso a crédito de longo prazo com taxas que o pequeno produtor consiga honrar. O Governo de Santa Catarina decidiu enfrentar esta equação diretamente: o Programa Coopera Agro SC, lançado pelo governador Jorginho Mello durante a abertura da ExpoCampos 2026 em Campos Novos, coloca R$ 1 bilhão em financiamentos à disposição dos produtores integrados às cadeias de suínos e aves.
As condições são pensadas para viabilizar, não apenas para anunciar. Taxa de juros fixada em 9% ao ano — abaixo das linhas de mercado convencionais para o setor rural —, dois anos de carência para iniciar o pagamento e prazo de oito anos para quitar o financiamento. Para um produtor que está ampliando uma granja, modernizando o sistema de ventilação, instalando biodigestor ou automatizando a gestão hídrica, estes prazos fazem toda a diferença entre um projeto viável e um endividamento insustentável.
O QUE O BILHÃO PODE GERAR
O governo projeta um impacto econômico de até R$ 26 bilhões derivados deste programa — o efeito multiplicador típico de cadeias agroindustriais integradas, onde cada real investido na produção primária gera demanda em insumos, transporte, processamento, embalagem, logística e exportação. A estimativa de criação de cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos e alcance de mais de 120 mil produtores rurais no estado dá a dimensão do potencial de capilaridade da iniciativa.
Os recursos serão destinados prioritariamente à infraestrutura de produção, gestão hídrica, modernização tecnológica, automação, sustentabilidade ambiental e produção de insumos. É uma lista que reflete as prioridades reais do setor: a pressão hídrica crescente sobre as regiões produtoras, a necessidade de reduzir emissões de metano na suinocultura, e a automação que permite ao produtor gerenciar a criação com menos mão de obra, mas com mais precisão e resultado.
COMO ACESSAR E QUEM COORDENA
O programa foi instituído pela Lei nº 19.666, sancionada em dezembro de 2025, e é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, com operacionalização financeira pelo BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), em parceria com as Secretarias da Fazenda e do Planejamento. Para acessar o financiamento, o produtor deve buscar a cooperativa ou agroindústria à qual está vinculado — o acesso passa pela cadeia integrada, o que garante que os recursos cheguem a produtores com vínculo formal e projeto concreto de expansão ou modernização.
A gestão será feita por um comitê com representantes estaduais e do BRDE, responsável por acompanhar a execução, monitorar resultados e propor ajustes. Numa cadeia tão dinâmica quanto a do agronegócio catarinense — sujeita a variações de preço de commodity, a exigências sanitárias de mercados internacionais e às tensões geopolíticas que afetam o frete e a demanda — a capacidade de ajuste ao longo do caminho é tão importante quanto a largada.

