Florianópolis, 30 de março de 2026 – Há uma lógica que o mercado financeiro convencional nunca conseguiu resolver bem: o empreendedor que mais precisa de crédito é exatamente aquele que tem menos acesso a ele. O Microempreendedor Individual — que abre o negócio na garagem, que atende aos fins de semana, que reequilibra o caixa no começo do ano quando o movimento cai — raramente encontra banco disposto a emprestar sem garantia, sem histórico de crédito robusto e sem cobrar juros que tornariam o empréstimo inviável. Em três anos, o Programa Juro Zero do Governo de Santa Catarina mostrou que esse problema tem solução. E os números provam.
Entre 2023 e 2025, o programa liberou R$ 292 milhões em crédito para MEIs catarinenses por meio de mais de 61 mil operações. O crescimento em relação ao período anterior — de 2020 a 2022 — é de 25%. A mecânica é direta: o empreendedor contrata até R$ 5 mil, tem 30 dias de carência para começar a pagar e quita em oito parcelas. Se as sete primeiras forem pagas em dia, o Governo do Estado paga a oitava — que corresponde exatamente aos juros da operação. Quem quita tudo tem direito a uma segunda contratação de até R$ 5 mil. Nenhum banco oferece isso.
O QUE R$ 5 MIL SIGNIFICAM NA PRÁTICA
Ana Paula Garcia Beumer, massoterapeuta de Biguaçu, acessou o programa mais de uma vez. Ela é proprietária do espaço Toda Linda Estética e Beleza no bairro Universitários — um negócio que começou quando ela era cliente do espaço, foi incentivada pela antiga dona a fazer o curso de massoterapeuta, comprou o estabelecimento e hoje toca sozinha há seis anos. O crédito do Juro Zero virou capital de giro nos momentos de baixa sazonal. “No começo do ano, quando as pessoas têm mais contas para pagar, dá aquela baixada no faturamento. O programa ajuda bastante quem é empreendedor”, diz Ana Paula.
É exatamente esta realidade — a sazonalidade cruel que afeta o pequeno negócio no primeiro trimestre de cada ano — que faz do crédito acessível um instrumento de sobrevivência e não apenas de expansão. O presidente do Badesc, Ari Rabaiolli, que opera o programa junto ao Banco do Empreendedor, resume com precisão: “Para muitos, R$ 5 mil parece pouco, mas às vezes esse valor faz a diferença entre continuar ou fechar as portas, comprar um equipamento ou reforçar o estoque.”.
O ECOSSISTEMA QUE CRESCE EM TORNO DO PROGRAMA
O Juro Zero não opera no vácuo. Ele é parte de um ecossistema mais amplo de fomento ao empreendedorismo que Santa Catarina vem construindo sistematicamente. Desde 2023, o estado acumula um saldo positivo de 283 mil novos MEIs — resultado de 543 mil aberturas contra 260 mil fechamentos no período. Hoje, o estado tem cerca de 860 mil Microempreendedores Individuais ativos, concentrados principalmente no comércio, transporte, indústria, construção civil e serviços.
Para sustentar este crescimento, o subsídio do programa foi ampliado em 2025: passou de R$ 16 milhões para R$ 25 milhões anuais, por meio de lei sancionada pelo governador Jorginho Mello. Mais subsídio significa mais operações possíveis — e mais empreendedores que podem acessar crédito sem pagar juros. É um modelo que, ao custo de R$ 25 milhões por ano para os cofres estaduais, movimenta uma economia de pequenos negócios que emprega, compra, paga imposto e mantece famílias. O retorno, por qualquer métrica que se escolha, é positivo.

