Florianópolis, 09 de janeiro de 2026 – A escalada das tensões geopolíticas na América do Sul acendeu um sinal de alerta nos setores produtivos de Santa Catarina. A recente instabilidade em Caracas, decorrente das operações norte-americanas, traz incertezas que ultrapassam as fronteiras diplomáticas e podem impactar diretamente a demografia e a economia do estado neste início de ano.
O ponto focal da preocupação catarinense é o fluxo migratório. Nos últimos anos, o estado se consolidou como um dos principais destinos da interiorização de venezuelanos no Brasil, absorvendo essa mão de obra qualificada que hoje é essencial para o funcionamento da agroindústria no Oeste e do setor de serviços e turismo no Litoral. O cenário atual impõe uma dúvida estratégica para o planejamento de 2026: a possível estabilização política incentivará o retorno desses trabalhadores ao seu país de origem, gerando escassez de mão de obra local, ou a crise desencadeará uma nova onda de refugiados em busca de abrigo?.
No campo econômico, a atenção se volta para a cadeia de suprimentos. Embora o volume de exportações de produtos catarinenses para a Venezuela seja baixo, a via inversa é estratégica: a indústria de Santa Catarina importa insumos vitais daquele país, com destaque para o alumínio e fertilizantes. Bloqueios logísticos ou mudanças abruptas na gestão desses recursos durante a transição de poder podem afetar custos de produção em curto prazo.
Além das questões diretas, o setor produtivo monitora o xadrez diplomático. Existe o receio de que o posicionamento do governo brasileiro diante da intervenção dos Estados Unidos possa criar atritos que prejudiquem negociações comerciais em andamento com os norte-americanos, um mercado consumidor fundamental para a indústria de Santa Catarina. O estado segue em compasso de espera, ciente de que a estabilidade do vizinho sul-americano é uma variável real para a manutenção do crescimento econômico local.
Fonte da informação: notisul.com.br


