Andreza Cunha, proprietária do Zanoni Sushi. Foto: Giovanna Graciano

Florianópolis, 03 de junho de 2026 — Andreza Cunha não planejou ser empresária. Planejou construir um negócio ao lado do marido, o sushiman Luiz Henrique Zanoni, cuidando da parte que sempre foi sua: a gestão. Quando Luiz faleceu em novembro de 2024, aos 36 anos, ela ficou com três unidades, dezenas de colaboradores, uma filha e a pergunta que ninguém consegue responder antes de precisar: vou dar conta? A resposta ela conta no segundo episódio do Vozes de SC.

UMA PARCERIA CONSTRUÍDA DENTRO DE UM RESTAURANTE

Antes do Zanoni Sushi existir, existia uma bancária que gastava o vale-refeição em sushi e um sushiman que trabalhava no quiosque de um restaurante japonês no Shopping. Andreza e Luiz se conheceram ali, no mesmo ambiente de trabalho, quando ela foi contratada para gerenciar o espaço. A divisão de funções que nasceu entre eles era natural: ele dominava a técnica do sushi; ela dominava o processo administrativo.

“Eu tinha experiência na parte administrativa e ele na parte de sushi. A gente achou que fazia sentido montar um negócio juntos.”

Andreza Cunha, proprietária do Zanoni Sushi

O primeiro passo foi discreto. Ofereceram sushi como produto complementar em um café, testaram o modelo e validaram a demanda. O segundo foi voltar para as raízes de Luiz: em Garopaba, onde a família dele mantinha um restaurante tradicional, montaram um quiosque de sushi dentro da operação. Ali, em plena alta temporada litorânea, Andreza atendeu espaços com mais de mil pessoas por dia e treinou o que mais tarde se tornaria a marca registrada do Zanoni Sushi: reconhecer o cliente pelo nome, lembrar o que ele gosta e fazer com que ele se sinta em casa.

DO LITORAL SUL AO SHOPPING: A PRIMEIRA LOJA PRÓPRIA

Em 2012, surgiu a oportunidade que mudaria a escala do negócio: uma vaga na praça de alimentação do Shopping Continente, em São José. O formato escolhido foi o bufê, com o cliente chegando ao balcão, escolhendo as peças e pagando na hora. O modelo permanece até hoje e se tornou a espinha dorsal financeira da rede, com funcionamento de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos das 11h às 20h.

Nos anos seguintes, a rede foi crescendo. Uma unidade em Balneário Camboriú funcionou até a pandemia de 2020, quando teve de fechar. O momento de retração virou oportunidade: o casal montou um food truck, depois abriu uma segunda unidade fixa no Shopping Itaguaçu, também em São José. Em 2023, Luiz inaugurou a unidade de Campinas, no mesmo município, num formato diferente das anteriores: restaurante de salão completo, com 36 lugares, atendimento à mesa, sushi bar integrado à cozinha e carta de drinks.

NOVEMBRO DE 2024: A RUPTURA

Na madrugada de 29 de novembro de 2024, Luiz Henrique Zanoni partiu em um acidente de moto na Beira-Mar Norte de Florianópolis. Tinha 36 anos. A comoção foi imediata: clientes, fornecedores e colegas do setor lamentaram, além da perda de uma pessoa admirável,  a perda de um profissional que havia construído uma rede reconhecida na Grande Florianópolis. As unidades fecharam naquele dia.

Andreza assumiu a operação. Além da gestão administrativa, que já era sua, precisou absorver o papel que Luiz exercia nos bastidores: a criação dos pratos, o controle de insumos e a precificação.

“Eu só entrei de cabeça no sonho dele. Quando ele foi, eu me vi perdida. Ele que era o cabeça da criação dos pratos. Não imaginava que ia conseguir manter.” 

Andreza Cunha.

A VIRADA DE CHAVE: FICHA TÉCNICA E GESTÃO POR NÚMEROS

O primeiro movimento de Andreza após assumir a operação foi estrutural. Com o apoio de um consultor de gestão, ela construiu a ficha técnica completa de todos os produtos da rede: cada prato, cada molho, cada combinado, pesado, registrado e inserido numa planilha que cruza custos com preços de venda.

“Quando fiz a ficha técnica, a gente viu que o negócio era muito saudável. Foi a virada de chave da gestão.”

Andreza Cunha

Hoje, a planilha é atualizada com frequência semanal. O preço do salmão, principal insumo da rede, oscila com força nos períodos de alta temporada e perto de datas comemorativas, e acompanhar essa variação em tempo real virou parte da rotina. A rede consome cerca de 600 quilos de salmão por mês apenas na unidade do Continente. Em Campinas, onde o horário de funcionamento é mais restrito, o volume fica entre 400 e 500 quilos mensais.

TRÊS UNIDADES, DOIS CANAIS, UM DESAFIO

O Zanoni Sushi opera hoje com três unidades na Grande Florianópolis: Continente Shopping e Shopping Itaguaçu, em formato buffet, e a unidade de Campinas, com atendimento de salão e delivery próprio. O maior desafio declarado por Andreza não é financeiro. É a mão de obra. Treinar, reter e manter o padrão de atendimento numa operação que abre quase todos os dias, com alto volume de pedidos, é a variável mais difícil de controlar. Para ela, o atendimento é o ponto de chegada de toda a cadeia interna.

“Não adianta toda a parte de trás ser boa se aqui na frente não for. A finalização é uma das partes mais importantes. É o que fideliza.” 

Andreza Cunha

2025 E O QUE VEM PELA FRENTE

O ano de 2025 terminou com as metas atingidas. Para Andreza, foi a confirmação de que o negócio sustentava o peso da transição e que a gestão estruturada fazia diferença. Em 2026, o cenário é de cautela: a economia contraída reduziu o poder de compra, e a prioridade é manter o que foi construído antes de qualquer nova expansão.

O que já está claro é o que Andreza quer que o Zanoni Sushi represente: um lugar onde o cliente é reconhecido pelo nome, onde a qualidade não abre exceção e onde o atendimento é a última e mais importante etapa de cada visita. É o mesmo princípio que ela e Luiz aplicaram desde o primeiro quiosque de praia.

“A gente não sabe a força que tem até a hora que tu precisa ter essa força.” 

Andreza Cunha