Florianópolis, 13 de julho de 2026 — A rã-touro (Aquarana catesbeiana), espécie originária da América do Norte, está classificada como Categoria 1 na lista oficial de fauna exótica invasora de Santa Catarina, a categoria de maior risco ambiental. Desde o primeiro registro da espécie no bairro Ratones, em outubro de 2025, a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) e o Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis (LEAR) da UFSC monitoram sua dispersão na região.
DUAS OPERAÇÕES DE CAPTURA JÁ REALIZADAS
Até o momento, foram realizadas duas ações de campo. A primeira, em novembro de 2025, resultou na captura de dez espécimes, entre três juvenis e sete adultos. A segunda, em março de 2026, capturou mais um indivíduo, com a presença da espécie confirmada em três propriedades do bairro.
Os animais capturados foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para análises, incluindo testes para ranavírus e quitridiomicose, doenças que podem afetar outros anfíbios da região.
POR QUE A ESPÉCIE PREOCUPA OS PESQUISADORES
A rã-touro tem dieta diversificada, que inclui peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, além de alta capacidade reprodutiva. Seu porte avantajado facilita a ocupação de nichos ecológicos e a disputa por recursos com espécies nativas da região.
Ratones abriga um manguezal e áreas alagadas que funcionam como berçário natural para diversas espécies de peixes e crustáceos, o que reforça a atenção das equipes técnicas sobre a presença do predador na área.
A ESTRATÉGIA DE DETECÇÃO PRECOCE
“O trabalho que estamos conduzindo em Ratones segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade”, afirmou Fábio Henrique Machado, presidente da Floram. O mapeamento contínuo da área deve seguir orientando as próximas ações de monitoramento e captura.
