Florianópolis, 20 de abril de 2026 – A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis publicou a Portaria nº 14 no dia 14 de abril, determinando a suspensão do transporte aquaviário de passageiros para a Ilha do Campeche entre 1º de maio e 10 de julho de 2026. Durante esse período, nenhuma embarcação poderá operar rotas com origem, trânsito ou destino à ilha — seja para fins turísticos, esportivos ou de lazer. A medida segue recomendação do Ministério Público Federal e visa proteger os cardumes de tainha em fase de reprodução e garantir condições para a pesca artesanal.
A justificativa técnica é direta. Entre maio e julho, os cardumes de tainha se aproximam da costa para a desova. O ruído dos motores de embarcações, a formação de ondas e a movimentação constante na superfície da água afugentam os peixes das áreas de cerco, comprometendo o trabalho dos pescadores que passam dias monitorando o mar à espera do momento certo para lançar as redes. O secretário Alexandre Waltrick explicou que a interferência das embarcações pode comprometer o resultado de dias ou semanas de vigilância — um prejuízo que, acumulado, afeta o sustento anual de famílias que dependem da safra.
As regras e quem pode atuar
A fiscalização será feita de forma integrada pela Floram e pela Guarda Municipal, em cooperação com a Capitania dos Portos de Santa Catarina. O descumprimento da portaria configura infração administrativa ambiental, com penas que vão desde advertência até multa, apreensão da embarcação e suspensão ou cassação de alvará. A proibição se aplica ao transporte de passageiros e às atividades náuticas privadas — não à pesca em si. Pescadores artesanais podem atuar normalmente durante o período de restrição.
O peso econômico e cultural da safra
A pesca artesanal da tainha é patrimônio cultural imaterial de Florianópolis e de Santa Catarina. O estado é responsável por cerca de 80% da pesca de tainha do Brasil, e para 2026 o governo federal ampliou em 20% a cota nacional de captura, fixando o limite em 8.160 toneladas. Do ponto de vista do turismo, a suspensão fecha por dois meses e dez dias o acesso à Ilha do Campeche, um dos destinos mais procurados do litoral catarinense. A prefeitura reconhece o conflito e afirma que a decisão busca equilibrar turismo e preservação, priorizando a tradição pesqueira nesse período específico do ano.

