Santa Catarina, 8 de maio de 2026 – Santa Catarina responde por 97% da produção nacional de moluscos cultivados — mais de 8,7 mil toneladas por ano, com valor superior a R$ 48 milhões — e a maricultura catarinense é, para centenas de famílias litorâneas, muito mais do que uma atividade econômica: é identidade, cultura e sustento. Por isso, a crise que se abateu sobre o setor neste início de 2026 representa uma emergência que o Governo do Estado tratou com a seriedade que a gravidade da situação exige. Entre janeiro e fevereiro, a temperatura do mar no litoral catarinense atingiu picos de 34°C — quando o normal seria girar em torno de 28°C — provocando uma mortandade em massa nas fazendas marinhas. Em algumas localidades do Sul da Ilha de Santa Catarina, as perdas chegaram a 90% de toda a produção.
A Resposta do Estado: Crédito e Apoio Direto ao Produtor
A resposta veio estruturada em duas frentes complementares. A primeira foi a aprovação de uma resolução emergencial pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural (Cederural), criando uma linha de crédito específica para maricultores afetados no âmbito do Pronampe Especial Aquicultura e Pesca de Santa Catarina. O crédito emergencial é de até R$ 50 mil por produtor, com pagamento em até cinco parcelas anuais e desconto de 40% para quem quitar em dia. Uma novidade relevante do programa em 2026 é que o financiamento passou a incluir itens diretamente ligados à recomposição da produção de ostras — como aquisição de sementes e insumos —, algo que a linha original não previa. A segunda frente foi a aprovação de um pacote total de R$ 40 milhões disponibilizados pelo programa, com zero juros para pescadores e aquicultores. Para acessar o crédito, o maricultor deve se dirigir a um escritório da Epagri no seu município.
Ciência e Diversificação na Busca por Saídas
O Governo do Estado também garantiu óleo diesel com redução de ICMS para quase 500 embarcações pesqueiras, reduzindo custos operacionais e fortalecendo a competitividade de um setor que sustenta diretamente quase 100 maricultores afetados, mais da metade dos quais vive exclusivamente dessa atividade. Pesquisadores da Epagri e especialistas da UFSC e do Ministério da Pesca e Aquicultura acompanham o fenômeno de perto, monitorando a evolução das temperaturas e avaliando alternativas para diversificação produtiva — incluindo o cultivo controlado de microalgas como forma de agregar valor e expandir a atuação do setor para as indústrias de alimentos e farmacêutica.
A “crise das ostras” de 2026 é um alerta claro sobre os impactos do aquecimento dos oceanos na economia catarinense — e uma prova de que políticas públicas ágeis fazem a diferença em momentos de ruptura. O secretário de Aquicultura e Pesca, Fabiano Müller Silva, sintetizou o compromisso do Estado: Santa Catarina continuará sendo referência nacional em ostricultura — e a força do produtor catarinense, somada ao apoio decisivo do governo, é o que vai garantir a retomada da atividade. Confira os detalhes do crédito emergencial no portal Space SC.

