Florianópolis, 12 de maio de 2026 — A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN) promoveu o “Seminário Contaminantes Emergentes em Águas: Aptidões atuais das tecnologias de tratamento de águas e a maturidade das legislações”, realizado no Auditório do Centro Integrado de Operação e Monitoramento (CIOM), no Balneário Estreito, em Florianópolis. O evento integra um convênio firmado entre a CASAN, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (FEESC), com orçamento total de R$ 1,8 milhão destinado a pesquisas na área.
Os chamados contaminantes emergentes (CEs) incluem fármacos, produtos de uso veterinário, hormônios, itens de higiene pessoal, microplásticos e agrotóxicos — substâncias que frequentemente ficam fora das normas tradicionais de tratamento de água, mas que apresentam potencial de impacto aos ecossistemas aquáticos e à qualidade do abastecimento humano. O seminário reuniu ainda representantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Multidisciplinar de Apoio à Regulamentação de Contaminantes de Preocupação Emergente (IMARCE).
O DESAFIO PARA O SANEAMENTO
Rodrigo Costa Puerari, engenheiro da divisão de Meio Ambiente da CASAN, explicou o que a companhia busca com a parceria: “Essa é uma área desafiadora para as empresas do setor de saneamento, pois em muitos casos os riscos ainda são pouco conhecidos, o que por consequência leva a uma dificuldade de estabelecer níveis seguros de sua presença em ecossistemas aquáticos. Nosso objetivo atual é desenvolver um dossiê com o estado atual dos estudos sobre os contaminantes emergentes, para verificar quais são os CEs mais comuns nos nossos sistemas e nossa capacidade de tratamento, a fim de nos anteciparmos a futuras legislações.”
O professor William Gerson Matias, da UFSC, reforçou a relevância do projeto ao destacar a integração entre pesquisa científica e gestão operacional. “A união entre Companhia e universidade permite integrar conhecimento aplicado, pesquisa de ponta e inovação tecnológica para enfrentar desafios complexos de saúde única. Este projeto envolve desde a caracterização desses contaminantes até a avaliação de tecnologias de remoção, estudos de efeitos tóxicos e o uso de inteligência artificial para análise de dados e apoio à tomada de decisão”, afirmou. O passo seguinte será definir prioridades para monitoramento e análise dentro dos sistemas operados pela CASAN em Santa Catarina.

