Florianópolis, 26 de março de 2026 – Quando a indústria brasileira debate inovação nos seus mais altos palcos, Santa Catarina não chega como espectadora — chega com propostas. Os dias 25 e 26 de março serão de protagonismo catarinense no 11º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, realizado no WTC de São Paulo. A delegação que representa o estado — reunida pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e pelo SENAI-SC — transporta para o maior evento de inovação industrial do país uma carteira de projetos que cobre desde a órbita terrestre baixa até ao fundo dos oceanos: satélites de monitoramento ambiental, conversores de hidrogénio verde com inteligência artificial, robótica submarina para o pré-sal e sistemas de segurança aeronáutica. É o mapa técnico de uma indústria que não se contenta em importar tecnologia; produz-na.
A participação de Santa Catarina no congresso não é uma estreia. Mas a qualidade e a diversidade dos projetos apresentados em 2026 elevam a fasquia de forma expressiva. O portfólio catarinense para este evento é a demonstração empírica de que o estado construiu, nos últimos anos, as condições institucionais, académicas e produtivas para gerar soluções tecnológicas complexas e competitivas a nível nacional e internacional. Esta não é apenas uma boa notícia para o setor industrial; é uma mensagem para os investidores de risco, os fundos internacionais de inovação e as corporações multinacionais que mapeiam ecossistemas de inovação emergentes: Santa Catarina está a produzir ciência aplicada com relevância global.
Da Órbita ao Fundo do Mar: O Portfólio Técnico de SC
O projeto mais simbólico da delegação catarinense é, sem dúvida, o nanossatélite Catarina A-2. Com dimensões comparáveis a uma caixa de sapato — aproximadamente 10cm x 10cm x 34cm — e orbita a 500 kilómetros de altitude, o Catarina A-2 representa uma conquista técnica notável: foi recentemente aprovado na Acceptance Review (AR), o processo de avaliação externa que certifica a prontidão do equipamento para o lançamento ao espaço. Desenvolver um satélite funcional, aprovado por bancas independentes, num estado sem tradição espacial histórica, é um feito que coloca Santa Catarina num seleto grupo de regiões do mundo com capacidade de produção de hardware aeroespacial.
Na frente energética, o Conversor Multi-Portas para Hidrogénio Verde apresenta uma solução integrada de inteligência artificial para otimizar a produção, o armazenamento e a utilização de energia proveniente da eletrólise da água. Num momento em que a descarbonização da indústria é imperativo econômico e regulatório — e não apenas um slogan ambiental — este tipo de tecnologia posiciona as empresas catarinenses como fornecedoras de soluções climáticas escaláveis. O projeto Eco Análise, por sua vez, aborda a rastreabilidade de desmatamento em cadeias produtivas, respondendo diretamente às exigências de due diligence ambiental impostas pelos mercados europeus aos produtos brasileiros.
Robótica Industrial e a Segurança como Produto de Exportação
A frente de robótica industrial é particularmente reveladora do estágio de maturidade tecnológica da indústria catarinense. O Annelida — Robô Submarino — é um sistema desenvolvido especificamente para a desobstrução de dutos em ambientes do pré-sal, um problema que custa à indústria petrolífera brasileira centenas de milhões de reais por ano em paragens de produção. A capacidade de desenvolver em Santa Catarina uma solução robótica para um dos cenários operacionais mais extremos do mundo — altas pressões, baixa visibilidade, ambientes corrosivos — é uma prova cabal de que a engenharia catarinense está a jogar em divisão de ponta.
Outros projetos merecem destaque pela sua aplicação transversal: a Manufatura Digital para manutenção aditiva substitui estoques físicos de peças por bibliotecas digitais, reduzindo custos e lead times em toda a cadeia industrial; a tecnologia de Soldagem a Laser avança na descarbonização dos processos produtivos; e o sistema Linset, desenvolvido para a mitigação de congelamento em superfícies de aeronaves, abre mercado no exigente setor de aviação civil e militar. Cada um destes projetos representa não apenas uma solução técnica, mas um potencial produto de exportação que pode gerar divisas para o estado por décadas.
O Prémio Nacional de Inovação e o Reconhecimento que Atrai Capital
O congresso é também a arena em que serão anunciados os vencedores do 9º Prémio Nacional de Inovação (PNI), e Santa Catarina tem finalistas entre os concorrentes. Esta presença nos pódios da inovação nacional não é meramente simbólica: cada premiação amplifica a visibilidade do ecossistema catarinense junto aos investidores de risco, aos programas de aceleração corporativa e aos parceiros tecnológicos internacionais que procuram oportunidades no Brasil. Num mercado global de inovação industrial cada vez mais competitivo, a reputação constrói-se uma vitória de cada vez. E Santa Catarina está a acumulá-las.

