Joinville, 04 de abril de 2026 – O Marco Legal do Saneamento — Lei nº 14.026/2020 — estabelece uma meta que parece distante até o momento em que o prazo começa a apertar: 90% da população brasileira com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Para a maior parte dos municípios do país, este número continua sendo uma aspiração abstrata. Joinville decidiu encarar como uma obrigação concreta. A cidade chegou a 52% de esgoto tratado após inaugurar a ETE Jardim Paraíso, na zona Norte, com investimento de R$ 26,8 milhões. Mais uma ETE, a Vila Nova, será inaugurada na próxima semana com investimento de R$ 40 milhões. Quando as duas estiverem em plena operação, a meta de 75% de cobertura até 2028 deixa de ser projeção e passa a ser trajetória.
A ETE Jardim Paraíso, construída entre 2022 e 2024, vai beneficiar cerca de 30 mil moradores dos bairros Jardim Paraíso, Vila Cubatão, Jardim Sofia e parte do Bom Retiro. Com capacidade de 60 litros por segundo, a estação utiliza tecnologia de controle de odores com lavadores de gases nas unidades de tratamento preliminar — um detalhe técnico que importa muito para quem mora no entorno. As redes coletoras da região somam 62 quilômetros instalados, com 70% já em bom estado de conservação e os 18 quilômetros restantes em processo de reforma ou substituição. A ETE Vila Nova, na rua Hermínia Penski, atenderá inicialmente 27 mil moradores do bairro Vila Nova, com expansão futura para o Morro do Meio.
O QUE OS NÚMEROS DO RANKING REVELAM
O Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil colocou Joinville na 64ª posição entre as 100 maiores cidades do país — um avanço de 11 posições em relação ao ano anterior. A nota geral foi 6,77. Mas o próprio avanço no ranking expõe onde a cidade ainda tem caminho a percorrer: as notas mais baixas ficaram exatamente nos indicadores de esgoto, com pontuações entre 4,6 e 4,7 em cobertura de rede, tratamento e atendimento em área urbana. O esgoto tem peso de 50% na formação do desempenho no ranking — e Joinville sabe disso. É por isso que as ETEs Jardim Paraíso e Vila Nova não são apenas inaugurações de infraestrutura; são movimentos estratégicos numa competição cujos critérios estão bem definidos.
ALÉM DA POSIÇÃO NO RANKING
“Ao colocar o saneamento como política prioritária, estamos fazendo uma cidade segura em todos os sentidos, a começar pela saúde”, disse o prefeito Adriano Silva na inauguração da ETE Jardim Paraíso. A frase resume bem o que está em disputa. Tratamento de esgoto não é apenas questão ambiental ou de compliance regulatório: é indicador direto de saúde pública, de qualidade das praias e rios urbanos, de valorização imobiliária e de atratividade para novos investimentos. Empresas que avaliam cidades para instalar operações olham para o saneamento como indicador de maturidade urbana.
Para 2033, a tarefa ainda é enorme: passar de 52% para 90% em sete anos exige velocidade de investimento e execução que pouquíssimas cidades brasileiras demonstraram até agora. O estado avança com o diagnóstico detalhado do saneamento básico catarinense, encomendado pela Secretaria do Meio Ambiente em parceria com o BRDE em dezembro de 2025, que deverá subsidiar o Plano Estadual de Saneamento Básico — instrumento essencial para organizar o que falta fazer, onde e com qual prioridade. Joinville, por enquanto, está na frente. O desafio é garantir que continue.

