Florianópolis, 12 de janeiro de 2026 – O complexo portuário de Santa Catarina encerrou 2025 não apenas com números positivos, mas com uma transformação estrutural que reafirma a vocação logística do estado. Dados consolidados mostram uma movimentação histórica, impulsionada pela sinergia entre a retomada plena das operações no Porto de Itajaí — sob novo modelo de gestão privada — e a expansão agressiva da capacidade de pátio nos terminais de Navegantes (Portonave) e Itapoá. O volume de cargas superou as expectativas, consolidando o estado como líder na exportação de proteína animal congelada e porta de entrada preferencial para insumos industriais de alta tecnologia.
A eficiência operacional foi o grande diferencial competitivo do ano. Investimentos estratégicos em dragagem de aprofundamento nos canais de acesso permitiram, pela primeira vez de forma regular, a atracação de navios da classe New Panamax (com capacidade superior a 14 mil TEUs) com carga plena. No Norte, o Porto de São Francisco do Sul também registrou seu melhor ano, otimizando o fluxo de granéis agrícolas através de novos sistemas de recepção ferroviária e rodoviária, essenciais para o escoamento da supersafra do Centro-Oeste e Sul.
Além do volume físico, a “revolução digital” nos processos aduaneiros foi decisiva. A implementação de sistemas de Port Community Systems (PCS) e o uso de inteligência artificial para agendamento de caminhões reduziram drasticamente as filas e o tempo de espera dos navios na barra. Essa previsibilidade diminuiu o custo de demurrage (multas por atraso) e o “Custo Brasil” para os exportadores, permitindo que Santa Catarina captasse cargas que historicamente escoavam por portos vizinhos no Paraná e Rio Grande do Sul. O estado deixou de ser apenas um ponto de passagem para se tornar um centro de distribuição logística, com forte crescimento das retroáreas e condomínios logísticos.
Para 2026, a perspectiva é de continuidade no crescimento, com foco na sustentabilidade. Novos aportes estão previstos para a eletrificação dos cais (sistema cold ironing), permitindo que navios desliguem seus motores enquanto atracados. Santa Catarina se consolida, assim, não apenas como a porta de saída da produção nacional, mas como um hub logístico indispensável e verde para todo o Cone Sul.


