Florianópolis, 12 de janeiro de 2026 – Enquanto as negociações diplomáticas para a ratificação final do acordo entre União Europeia e Mercosul avançam em Bruxelas, Santa Catarina decidiu não pagar para ver. O estado saiu na frente e já implementou, na prática, uma série de adequações sanitárias e ambientais exigidas pelo bloco europeu. Essa estratégia ousada criou uma espécie de “via expressa” (green lane), garantindo que os produtos catarinenses tenham “passaporte livre” e tarifas preferenciais assim que o tratado entrar em vigor plenamente.
O agronegócio e a indústria de móveis e madeira foram os pioneiros na adaptação total às normas de rastreabilidade e sustentabilidade (ESG). O uso de tecnologia blockchain para certificar a origem da proteína animal – do nascimento no campo até o embarque no porto – foi um divisor de águas. Essa transparência digital elimina a desconfiança histórica dos compradores europeus e coloca os exportadores catarinenses em uma posição de vantagem competitiva imediata, acessando um mercado consumidor de alto poder aquisitivo muito antes dos concorrentes vizinhos.
Um dos pontos mais críticos, a rigorosa lei antidesmatamento da Europa (EUDR), foi transformada de barreira em oportunidade. Programas estaduais de suporte técnico, em parceria com a Epagri e cooperativas, mapearam propriedades da agricultura familiar, certificando que a produção é livre de desmatamento. Ao estender esses selos de qualidade (“Compliance Ambiental”) aos pequenos produtores, o estado evitou a exclusão da base da pirâmide produtiva, permitindo que o mel, a erva-mate e os embutidos artesanais do interior também disputem as gôndolas de Paris e Berlim.
Especialistas em comércio exterior avaliam que essa antecipação deve gerar um salto quantitativo e qualitativo nas exportações já no primeiro semestre de 2026. Não se trata mais apenas de vender volume, mas de vender produtos com “selo verde”. O governo estadual, ciente desse potencial, intensificou as missões comerciais e oferece consultorias gratuitas para empresas que desejam internacionalizar suas marcas, aproveitando essa nova rota comercial transatlântica que Santa Catarina ajudou a pavimentar.
Fonte da informação: tvbv.com.br


