Rio do Sul, 25 de março de 2026 – A narrativa mais comum sobre inovação em Santa Catarina tende a concentrar os holofotes sobre Florianópolis, Blumenau ou Joinville. O anúncio feito pelo governador Jorginho Mello nesta segunda-feira, porém, reescreve essa história com dados concretos: o Alto Vale do Itajaí recebeu a ampliação do Centro de Inovação Norberto Frahm (CINF), em Rio do Sul, com investimento de aproximadamente R$ 10 milhões, e o governo aproveitou a cerimónia de entrega para lançar a terceira edição do Programa Centelha, com um edital de R$ 4 milhões disponível para financiar projetos inovadores em todo o estado. A combinação de infraestrutura física e capital semente num único momento não é coincidência — é política pública de inovação com visão sistêmica.
O CINF integra a Rede Catarinense de Centros de Inovação (RCCI), coordenada pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), e está instalado na área do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi). Com a ampliação entregue, o complexo passa a contar com salas de reuniões de alta qualidade, espaços de coworking modernos, sala maker para prototipagem, escritórios individuais e, ponto de diferenciação estratégica, espaços disponíveis para a ocupação de futuras empresas residentes — ou seja, startups em fase de crescimento que precisam de um endereço físico para consolidar a sua operação sem suportar os encargos de um escritório comercial convencional.
Os Números que Provam que o Investimento Funciona
Um dos argumentos mais sólidos a favor do modelo de Centros de Inovação como política pública é a sua rentabilidade económica comprovada. Só em 2025, as startups vinculadas ao Centro de Inovação Norberto Frahm alcançaram um faturamento superior a R$ 3,1 milhões e geraram postos de trabalho qualificados na região. Num contexto em que muitos municípios do interior de Santa Catarina vêm perdendo talentos para os grandes centros urbanos, um Centro de Inovação com este desempenho funciona como um poderoso mecanismo de retenção de capital humano — mantendo engenheiros, programadores e gestores de negócios onde as suas raízes estão, criando famílias e pagando impostos locais.
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Edgard Usuy, sublinha a ambição da estratégia do estado: “Hoje, a nossa rede conta com 24 Centros de Inovação e alcançamos 100% das 21 microrregiões catarinenses.” Esta frase encerra uma conquista notável. Ter presença em cada microrregião do estado significa que um jovem empreendedor do Planalto Serrano, do Extremo Oeste ou do Alto Vale tem acesso ao mesmo ecossistema de suporte que um fundador de startup em Florianópolis. Esta democratização do acesso à inovação é o que distingue a política catarinense dos modelos que apenas reforçam os pólos já existentes.
O Centelha: Da Ideia ao Negócio com Até R$ 96 Mil de Subvenção
O lançamento simultâneo do edital Centelha 3-SC é o complemento natural da infraestrutura entregue. O programa, que nasceu em Santa Catarina e é gerido pela Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado), chega à sua terceira edição com R$ 4 milhões disponíveis e capacidade para selecionar até 42 empresas. Cada projeto aprovado pode receber subvenção de até R$ 96 mil, além de Bolsas de Fomento Tecnológico e de Extensão Inovadora, e acesso a um programa estruturado de capacitação em desenvolvimento de negócios.
O modelo de subvenção — dinheiro que não precisa ser devolvido — é o instrumento mais poderoso para estimular o empreendedorismo de base tecnológica nos estágios iniciais. Ao contrário do crédito bancário, que pressiona os fundadores com juros e prazos de pagamento num momento em que a startup ainda está a desenvolver o produto e a validar o mercado, a subvenção permite que o empreendedor foque toda a sua energia na construção do negócio. Na edição anterior do Centelha, realizada em 2021, foram inscritas mais de mil ideias — um indicador expressivo da demanda reprimida por este tipo de financiamento em Santa Catarina.
O Impacto de Longo Prazo: Um Ecossistema que se Auto Alimenta
A lógica de longo prazo por detrás deste investimento combinado — infraestrutura física mais capital semente — é a construção de um ecossistema de inovação que se torna progressivamente autossustentável. As startups que hoje recebem o primeiro financiamento do Centelha e desenvolvem o seu produto nas salas do CINF serão, amanhã, às empresas-âncora que atraem novas rodadas de investimento privado, contratam os talentos formados pelas universidades locais e pagam as contribuições fiscais que realimentam o Fundo da Fapesc. O governador Jorginho Mello captou esta dinâmica na sua declaração: “Não tenho dúvidas de que esse investimento vai impulsionar a economia de todo o Alto Vale do Itajaí.” O Alto Vale tem agora os instrumentos. Cabe ao ecossistema local fazer deles o melhor uso.

